segunda-feira, 21 de junho de 2010

Tradição de família.

Agora que praticamente acabei a dissertação, sinto liberdade para reativar meu blog e escrever sobre as nugacidades da vida.
Época de Copa do Mundo e álbuns de figurinhas a todo vapor. Eles me trazem um alvitre gostoso do meu avô. Quando criança acompanhei suas coleções de álbuns de seleções, sejam elas do brasileirão ou da Copa do Mundo. Os álbuns ficavam guardados na gaveta da cômoda, ao lado de sua cama. Não ficavam em cima da mesa, ou espalhados pela casa. Lembro-me dele sentado na beira do colchão, destacando os cromos autocolantes e completando as páginas.
Não sei se a tradição, meio que de esconder o álbum, era pelo sentimento dele ser algo infantil ou apenas uma hábito. Na última Copa, no ano de 2006, a última dele entre nós, o álbum saiu da gaveta e passou a acompanhá-lo nas visitas a minha casa e na sua ida ao apartamento em que estávamos na Barra da Tijuca. Ele, Henrique e Aurélio, junto com as crianças, trocavam figurinhas e faziam uma algazarra.
Meu avô já tinha as mãos trêmulas e as pernas já não possuíam a mesma firmeza de outrora, mas fazia questão de colar as figurinhas e tirar o papel que protegia a cola. Às vezes reclamava que colava torto, mas não gostava de designar essa tarefa para ninguém. Ir ao jornaleiro, na Olegário Maciel foi um dos nossos últimos passeios.
Um ano depois, meu avô não colecionaria mais seus álbuns de figurinhas.
Quando arrumamos a casa após o falecimento deles, não achamos os álbuns. Seria uma boa recordação para guardar. Entretanto a melhor de todas as lembranças nenhuma traça poderá comer, não será amassada, não rasgará e não sujará. Estão em meus pensamentos. E toda Copa colecionarei os álbuns e assim farei com os bisnetos que ele teria. Afinal, tornou-se uma tradição de família.